O Veredicto Final

Após o término do projeto, o nosso grupo chegou à conclusão de que este foi um episódio único em nossas vidas, que nos rendeu diversas experiências, positivas ou negativas, ao nos depararmos com situações que não estávamos acostumados a vivenciar no nosso cotidiano, como uma feira de livros na Vila Nova Cachoeirinha, na ZONA NORTE, ou uma visita ao escritório de uma editora de livros, as quais contribuíram para o estabelecimento de um grande vínculo entre os integrantes do nosso grupo, sendo que nenhum integrante inventou desculpas para faltar nos programas ou para não contribuir para o desenvolvimento do trabalho, com total comprometimento com o trabalho.

Mas, mesmo com todos os frutos positivos desse projeto, ele com certeza não é perfeito, pois apresenta algumas falhas que podem ser corrigidas. Em relação à viagem, em Maio, algumas visitas agendadas pela escola que contaram com problemas de horário, fazendo com que o grupo chegasse a perder outras, ou então que extrapolaram o tempo proposto, na maioria dos casos por falta de organização. Um exemplo disso é o ocorrido no caso da visita à escola de samba Vai-Vai, feita pelo Guilherme, em que a conversa demorou 1h a mais do que o programado, ou então na excursão ao Templo de Salomão, feita pelo Felipe, na qual o tour pelo templo levou muito mais tempo do que o previsto inicialmente. Além disso, alguns dos locais visitados não estavam prontos, como uma exposição que, quando chegamos lá, ainda estava em reforma, programa este que poderia ter sido substituído por algo como uma visita a um SESC ou a uma biblioteca como a Biblioteca Mário de Andrade.

Contudo, o projeto não foi somente composto de problemas, tendo pontos positivos. Por exemplo, as belas escolhas de restaurantes como o peruano Aleja, no Pari, que tem um ceviche delicioso, ou a cantina Conchetta, no Bexiga, com o carismático sr. Walter.Gostamos também do dia livre, que abriu a possibilidade de escolha dos lugares que comporiam o roteiro daquele dia, uma iniciativa muito legal, pois podermos visitar lugares diferentes como a Galeria do Rock, que não estavam incluídos nos roteiros estabelecidos pela escola. Outro roteiro muito legal foi o de Mobilidade Urbana, feito pelo Pedro, em que andamos de bicicleta pela cidade. Esses pontos citados com certeza precisam fazer parte do MNM do ano que vem.

Quanto ao blog em si, acreditamos que ele foi em, certos momentos, mais um fardo do que uma dádiva. A proposta de fazermos o blog era de que pudéssemos refletir sobre nosso processo de trabalho. É bem verdade que isso de fato ocorreu em alguns momentos; em grande parte do tempo, porém, tivemos posts obrigatórios redundantes, em que falamos praticamente a mesma coisa. Esse é o caso de vários dos posts de reflexão sobre o projeto. Por outro lado, mais um elogio: a ideia de fazer um vídeo-argumento de nosso tema foi extremamente beneficial para nós e realmente nos ajudou muito no
processo de montagem do documentário, uma vez que nos obrigou a refletir sobre o nosso tema e nos levou a melhorar nossas habilidades de edição de vídeos. Essa é outra coisa que deve permanecer para o ano que vem.

Dessa forma, concluimos que, mesmo tendo algumas falhas, como sabemos que qualquer experiencia nova sempre terá, o MNM foi muito divertido e prazeroso, além de ter possibilitado um grande desenvolvimento individual para cada um de nós. Mais uma vez, queremos parabenizar os professores e coordenadores da escola, que tanto investiram e investem em tornar o MNM cada vez melhor. André, João, Fepa, Teresa e Adri, obrigado!

Felipe, Guilherme, Nicholas e Pedro

Farenheit 451

Capa do livro Faranheit 451, de Ray Bradubury. Fonte

451ºF é a temperatura de ebulição… de livros. E é sobre isso que o livro de ficção científica Farenheit 451, do estadounidense Ray Bradbury, trata.

Em um futuro distópico, a sociedade norte americana é caótica, violenta e anti-intelectual. Nesse contexto, os livros foram expressamente proibidos. Qualquer um que é pego lendo um livro é confinado em um hospício, e os bombeiros, em vez de apagarem incêndios, tem o trabalho de queimar qualquer livro que encontram. O protagonista, Guy Montag, é um desses bombeiros, seguindo a tradição de sua família, já que seu pai e seu avô haviam tido também essa profissão. Para ele, o trabalho de queimar livros é completamente legítimo e correto.

Entretanto, quando Montag conhece sua vizinha, Clarice Mcclean, personagem cujo espírito questionador faz com o próprio Montag, até então tão seguro de si mesmo, passe a questionar sua vida e também o porquê da proibição dos livros, a história sofre uma guinada. Em determinada cena, o comandante da polícia explica o motivo para tal proibição, dizendo: “Bem, Montag, pode acreditar, no meu tempo eu tive de ler alguns, para saber do que se tratava, e lhe digo: os livros não dizem nada! Nada que se possa ensinar ou em que se possa acreditar. Quando é ficção, é sobre pessoas inexistentes, invenções da imaginação. Caso contrário, é pior: um professor chamando outro de idiota, um filósofo gritando mais alto que seu adversário. Todos eles correndo, apagando as estrelas e extinguindo o sol. Você fica perdido.”

Nesse sentido, a leitura de Farenheit 451 vale muito a pena, seja pela reflexão trazida por Bradbury sobre o papel da leitura na sociedade, seja simplesmente por conhecer uma cativante e bem escrita história de ficção científica.

Recomendo também o filme homônimo, do cineasta francês François Truffaut, um dos mais importantes diretores do século XX. O trailer do filme, único produzido por Truffaut na Inglaterra,  pode ser visto abaixo (infelizmente não achei nenhum em portugues…):

Autocríticas…

Terminado o nosso documentário (que vocês podem ver por aqui), fomos atingidos por um sentimento bastante dúbio: por um lado, orgulho, porque realmente gostamos de nosso produto final; mas, por outro, alívio, porque produzir um filme como esse dá muito trabalho. Nosso filme ficou pronto no dia 13 de setembro, um domingo. Antes disso, havíamos passado por mais de 3 horas em entrevistas, sem contar o tempo gasto se preparando para elas, e, durante a edição, havíamos passado no mínimo 10 horas em frente ao computador. No Sábado, dia 12/09, por exemplo, ficamos o dia inteiro conversando por skype sobre o vídeo.

De fato, fazer o Entre as Linhas da Metrópole, título do nosso documentário, foi extremamente trabalhoso, apesar de ter sido também muitíssimo proveitoso. Analisando agora nosso método de trabalho, com quase dois meses tendo se passado desde a finalização do filme, percebemos o quanto algumas de nossas atitudes prejudicaram o bom andamento de nossa produção, e o quanto poderíamos ter feito de diferente para tornar o processo ainda melhor.

Em primeiro lugar, confessamos que deveríamos ter nos planejado melhor. Fizemos todas as nossas entrevistas em um período de um mês, entre agosto e setembro. Isso fez com que nosso trabalho ficasse muito corrido e, portanto, mais trabalhoso. Com certeza, melhor seria se tivéssemos conseguido diluir nossas entrevistas por um período maior de tempo, iniciando nosso trabalho antes de julho.

Um segundo ponto no qual deveríamos ter investido mais é o da participação de todo mundo do grupo na montagem do Entre as Linhas. A nossa divisão de trabalho foi realmente desigual, tanto no período de edição do filme quanto durante todo esse ano. É claro que tivemos um empecilho com o qual não contávamos: a ida de um dos integrantes do nosso grupo, o Nick, para a Inglaterra (Oi, Nick!). Mesmo assim, teria sido mais legal se todos tivéssemos nos envolvido da mesma maneira no Móbile na Metrópole.

Por fim, um terceiro fator que tornou nossa tarefa mais complexa foi a quantidade de tempo de entrevistas que tínhamos. Quando fomos começar a editar, nos deparamos com exatas 3 horas, 6 minutos e 23 segundos de vídeo, sendo que tínhamos que escolher apenas 10 minutos. Essa foi certamente a parte mais difícil da montagem do documentário, pois quase tudo que nossos entrevistados falavam era extremamente interessante e, portanto, decidir quais eram os trechos essenciais foi quase impossível. Ainda assim, foi muito bom termos feito entrevistas longas, porque elas permitiram uma maior reflexão sobre o tema. Acima de tudo, não é porque um determinado trecho de uma entrevista não faz parte do Entre as Linhas, que nós não o consideramos importante.

Tudo isso para dizer o quão difícil foi esse trabalho de um ano, e o quanto nos esforçamos para fazê-lo da melhor forma possível. Mesmo que em alguns momentos tenhamos questionado ter que fazer o Entre as Linhas da Metrópole e temido que tudo fosse ficar horrível, esse período foi de enorme crescimento e aprendizado para nós quatro, além de ter sido, em várias ocasiões, divertidíssimo. Considerando os pontos positivos e negativos, os primeiros sem sombra de dúvida se destacam. E em grande medida, o nosso documentário representa esse sentimento.

Felipe, Guilherme, Nicholas e Pedro

Minha relação com SP após o trabalho

Antes do Móbile na Metrópole, eu pensava na cidade como o simples percurso entre a minha casa, a escola, o shopping, o teatro, o restaurante, etc, sem nunca parar para admirar os tesouros escondidos da cidade, por exemplo os grafites e os músicos de rua, que muitas vezes tinham passado despercebidos para mim, várias obras de arte como os grafites da 23 de maio ou então os músicos que tocam no minhocão. Além disso, também percebi a pluralidade de culturas e tradições diferentes que formam uma única  a cidade, que tem desde um bairro italiano na zona leste, a Mocca, a um bairro oriental na zona sul, a Liberdade.

Outro quesito no qual esse trabalho mudou a minha relação com a cidade foi quanto ao próprio tema do trabalho, pois acabei conhecendo várias instituições que incentivam a leitura e projetos como o 24/7 cultural, que coloca máquinas com livros em vários pontos do metrô de São Paulo. Essa forte presença da literatura que, antes do trabalho, não achei que existisse em SP.

Por isso, creio que os contatos que tive durante esse trabalho fizeram com que a minha relação com a cidade mudasse por completo, pois agora conheço muito mais lugares e pessoas que me fizeram reavaliar minha opinião sobre a cidade.

Felipe Butze

A Cidade e Eu

Boa noite, leitores. Venho novamente contar sobre minha experiência com o Móbile na Metrópole e sobre como esse projeto anual foi capaz de mudar minha visão sobre várias coisas à minha volta.

Definitivamente o estudo do meio foi capaz de mudar minha relação com a cidade de São Paulo. Explico melhor: antes de 2015, meu conhecimento da cidade era muito restrito, não somente em termos geográficos (ainda que a minha habilidade de localização geográfica em São Paulo tenha melhorado muito durante este ano), mas também conhecimento em relação às possibilidades que São Paulo oferece aos paulistanos, em termos de lazer, de locomoção, de entretenimento e de diversos outros aspectos.

Como disse, minha visão era restrita: andava majoritariamente de carro ou táxi, embora pegasse um ônibus de vez em quando; quando saía de casa, ía majoritariamente a Shoppings Centeres e outros locais desse tipo; etc. Depois do estudo do meio em Maio, posso dizer que o meu leque de possibilidades aumentou muito: se hoje ando muito mais de bicicleta – e não somente como lazer, mas como meio de transporte efetivamente -, é por conta do Roteiro sobre Mobilidade Urbana, em que eu e meu grupo pedalamos mais de 20km entre o Centro e o Parque do Povo (vocês podem ler sobre esse roteiro aqui); se hoje prefiro outras opções de lazer com meus amigos, como sair para comer em diferentes hamburguerias (Estamos efetivamente com um projeto de conhecer todas as hamburguerias listadas pela VejaSP como ’15 melhores hambúrgueres da cidade’, o que está nos levando a lugares da cidade que não conhecíamos), em vez de simplesmente ir ao cinema e comer na praça de alimentação do shopping, é certamente por conta do que vivi no Móbile na Metrópole.

Nesse sentido, talvez a maior virtude de um projeto como o Móbile na Metrópole seja a capacidade de fomentar em quem dele participa uma disposição para tentar, experimentar, coisas novas, que fujam da realidade com a qual estávamos acostumados. De fato, hoje tenho muito mais vontade de inovar no que faço na cidade, tenho muito mais disposição para ir de um lugar a outro de ônibus; e o MNM é responsável pela quase totalidade desse novo sentimento.

Pedro Sant’Anna

São Paulo após MNM

O grande objetivo do Móbile na Metrópole sempre foi que olhássemos São Paulo com outros olhos, víssemos a cidade que nos abriga por outros prismas e fôssemos a lugares que jamais consideraríamos ir. Sendo assim, acho que o que mudou em minha relação com São Paulo foi minha vontade de descobrir novos lugares.

Antigamente, há 8 meses, meu circuito em São Paulo era basicamente restrito aos mesmos shoppings, restaurante, cinemas, etc. Eram programas bem redundantes. Entretanto, após o MNM descobri toda uma nova gama de lugares. Como o Centro de são Paulo; para mim ele era apenas um lugar sujo que tinha a 25 de Março. Mas, após o Estudo do Meio, conheci lugares lindos do centro, como o Viaduto do Chá, a rua Álvares Penteado e outros.

Se há uma lição que tiro a respeito de São Paulo após todo esse processo, é que São Paulo é muito grande. Há mais coisas para descobrir na cidade do que dá tempo numa vida. E, portanto, só me resta explorar cada canto possível da Metrópole que parece fira e cinza de longe, mas num olhar mais atento é quente e colorida.

  • Guilherme Rosito

Minhas descobertas depois do MNM

Depois da produção do nosso mini documentário eu parei para refletir sobre o que esse projeto de um ano tinha me proporcionado por meio das tardes que passei andando de ônibus por São Paulo, seja fazendo entrevistas ou indo a feiras de livros na Zona Norte ou entrevistando um grafiteiro chapado, mas nenhum desses programas foi algo que eu sai pensando que tinha perdido o meu tempo ou que deveria ter inventado uma desculpa para não ir, pois me diverti em todos por conta da atmosfera descontraída que o nosso grupo tinha estabelecido, nunca perdendo o bom humor e a motivação para continuar o trabalho, mesmo quando nada dava certo.

Outra coisa que me orgulho de ter aprendido com esse trabalho foi a andar de ônibus em São Paulo, pois somente tinha tido essa experiência em uma cidade menor, Porto Alegre, e no exterior, mas em SP é completamente diferente, não somente pelo fato de ser uma cidade muito maior, mas também pela quantidade de caminhos diferentes para se chegar em um único lugar, o que algumas vezes acabou por ser bastante confuso, porém no final sempre conseguíamos chegar onde precisávamos.

O nosso blog no 1° semestre conseguiu expressar muito bem como o trabalho estava sendo desenvolvido e a nossa dedicação com ele, algo que não conseguimos fazer no 3° bimestre de 2015 por causa da falta de tempo, este que tivemos aplicamos na produção do nosso vídeo, mas agora que o vídeo ficou pronto teremos como dedicar mais tempo ao blog.

Felipe Butze